As estações humanas
  Goodbye blue sky

O blog uol me avisou: seu espaço gratuito está esgotado... e eu que não conseguia postar mais nada entendi a mensagem.... aqui estou eu agora.

 

http://meridianosangrento.wordpress.com/



Escrito por Meridiano Sangrento às 12h48
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  Mortes particulares...

Morro todo dia um pouco. São mortes tão imperceptíveis que tem dias nem eu sinto bem. Sãos os pedaços das unhas que se vão. As cutículas que teimam em se soltar e que eu arranco com a ponta dos dentes. Saem de mim líquidos e excrementos; sai saliva, suores, pele, alguns cabelos desabam, outros, assustados, embranquecem. Mato lentamente a suave estrutura do meu ouvido ouvindo música em volume pouco considerável, isso depois de enfiar um suave cotonete e esfregar até me cansar ou ele sair amarelado. Raspo meu pé com lixa e a delicadeza de uma girafa num quitinete, cai um fino pó, raspas de um morto-vivo. Cuspo. Escarro. Me ralo. Pedaços de mim vão ficando pelo mundo. Do meu nariz endurecidas secreções eu tiro, embolo e atiro longe. A vaidade me faz arrancar rebeldes pêlos brancos do peito, fingindo um tórax adolescente num corpo enruguecido. Aparo os pêlos das axilas, do púbis, dos dedos dos pés, das narinas. Os pêlos da costas, resignadamente, peço que tirem com uma pinça. Morro todo dia um pouco, lentamente. Chego a achar que estou menor, pois com o tempo, os pequenos bocados de mim que ficaram pelo caminho, somados, fazem falta. E no meu interior as mortes enlouqueceram, elas se sucedem e me sucedem. Uma angústia infinita toma conta de mim, os meus espaços interiores parecem ser pequenos para me caber dentro. Tem dias que não estou confortável em mim. É como se minha roupa tivesse ficado um número menor e os ossos tivessem inchado. Não é nada. São minhas mortes particulares. É o minguar dos afetos. É a falta de prumo ou rumo. Eu "me matei uma vez quando o tempo era escasso", não foi uma boa morte. De outra vez a morte melhorou uma dor que sentia no baço, ela desapareceu sem deixar lembrança, ou a morte matou a lembrança do que nem era dor? Não sei. Toda vez que volto de uma morte sofro de esquecimentos. Mas posso dizer de cadeira que a morte "melhora o ritmo do pulso e clareia a alma". De certo eu só tenho comigo que "morrer de vez em quando é a única coisa que me acalma"... por isso sigo morrendo aos poucos, com a mesma vontade que como um doce de abóbora ou escuto uma música recém-descoberta: morro por gulodice e para ouvir a paz. Mantenho a mesma febre de leitura. Terminar um livro é morrer um pouco. Não terminar, também. É tão bom estar morto ás vezes, nem que seja para ouvir: é um bom morto agora, em vida, era ainda melhor... o elogio me recompõe. Um dia calmo também.          

ps: o que segue em aspas é do Paulo Leminski... um grande poema... o resto sou eu e minhas contradições....



Escrito por Meridiano Sangrento às 15h42
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  A chicken with Its head cut off

No chão do quarto jazem roupas, copos sujos, toalhas molhadas, um violão. Janela aberta, poeira entrando sem ser convidada, mas sendo bem vinda. Netbook (presente da mãe) aberto. Paredes com frases pretensiosas misturadas a outras ridículas. All star vermelho sujo. Pílula anticoncepcional pela metade.  O prêmio do desafio Sebrae dentro do guarda roupa novo, que comprei e não paguei. Cds empilhados. O ventilador desligado. Do lugar que digito vejo um par de chinelos azul.  A luz que ela dizia que havia estragado novamente após eu ter consertado, estava apenas queimada. Troquei. Podemos substituir lâmpadas com uma facilidade impressionante, filhos não.  A cama está sem lençol há semanas, desde que eu parei de trocar para ela. Suas roupas sujas amontoam-se lá fora, até que todas as que ela acha que estão limpas acabem e aí ela se digne a lavar um outro tanto. Roupas que ela vai usar sem passar, pois eu parei de lavar e de passar para ela. Dezoito anos e o que ela quer é um lugar pra ficar, desde que ela possa ficar do jeito dela. Ela necessita de roupa lavada e passada e guardada. Ela necessita de comida sempre pronta e no jeito de comer. Suco ou refrigerante também. Tem que ter sempre pão para ser assado numa sanduicheira que ela nunca se dignará a limpar. Assim como os pratos e copos, que para ela deveriam ser descartáveis. Se tiver queijo e presunto, melhor ainda. Ela tem nojo de recolher lixo do banheiro. Não gosta de colocar roupas no varal, nem de tirar. Ela, na verdade, não gosta de muita coisa, mas das coisas que gosta ela quer que estejam à sua disposição. Na televisão House e CSI, o computar fica ligado o dia inteiro, aguardando mensagens do mundo. Via Twitter e MSN. Ela fuma e pelo jeito tem nojo também da própria bituca que produz, pois elas sempre amanhecem no chão da varanda. De resto ela gosta de sair, todo dia se for o caso. E gosta de amanhecer, quase sempre. Ama dormir até as 11; quando desperta está por um triz para chegar atrasada ao estágio que até agora ninguém sabe como arrumou; pode-se atribuí-lo a um incauto que acreditou na falsa propaganda dela ou a algum milagre. Prefiro o primeiro, milagres não existem quando se trata dela, e sim acasos. Do dia que ela veio para cá, trazida pela mãe, ela não cresceu nem um centímetro. Pior, deve ter piorado horrores, pois eu sou mais tranqüilo que a mãe e espero que a vida lhe dê as surras que eu não pretendo mais dar. E ela tem semanas de silêncio decoroso e semanas de maluquice total. Eu, quando me canso da situação, subo a minha montanha e prego para o vento. Ela finge entender e no outro dia recomeça a fazer igual; tudo igual às ordens que recebe do seu cérebro, que deve ter alguns parafusos a menos, já começo a pensar. Se mando recolher os cocôs do cachorro que ela insistiu em ter, ela recolhe; mas não lava a varanda, que fica com um cheiro desagradável de preguiça. Se mando varrer a casa, ela varre; mas se na ordem não estava varrer e passar pano, o pano ficará por minha conta quando eu chegar... E assim vai indo. Mas daqui, olhando suas roupas ocuparem todo o espaço do chão do seu quarto, sendo impossível saber o que está limpo, o que está sujo, percebo que às vezes um pai percebe que sim, há algo de podre no reino da Dinamarca, e que esta Dinamarca é sua filha e que você está completamente perdido quanto ao rumo que vai tomar para solucionar isso. Sempre que prego para o vento ela diz, “relaxa, está tudo bem”... Não, nada vai bem... Estou cansado de perceber que se eu fiz tudo o que pude para ela, ela, com seu egoísmo monstro de adolescente problemática que quer parecer ser, transforma a vida de todos que a rodeiam numa roleta russa tenebrosa. Não, eu não sei o que fazer com ela. Pensei em psiquiatra, psicólogo, em pedir para que ela parta. Volto atrás, ponho a culpa que está num saco gigante atrás da porta dela nas minhas costas e sigo... desorientado, mas sigo...



Escrito por Meridiano Sangrento às 15h10
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  Fear

Algo sempre me paralisa quando o mundo espera algo de mim. E o mundo está sempre esperando algo de mim, parece. E eu, competente, sempre faço a festa dos que apostam contra mim. Sempre foi assim, eu é que nunca dei a atenção devida para esse fato. Mas, fato vai fato vem e eu continuo na mesma. Tanto talento desperdiçado pois eu nunca dei a devida atenção para algo tão simples: medo. Eu nutro e alimento um medo desumano de errar, mas é tão gigante que a simples possibilidade de tentar já me causa dissabores. Ah, como eu odeio minha vidinha simplória, cheia de necessidades, de desejos, de anseios não complementados, mas o grande culpado sou apenas eu, eu e meu melhor amigo, o medo. O medo pode ter salvo o homem antigo, quando ele fugia de sombras, de animais ferozes, de adversários mais fortes, mas em mim o medo é só um, o de transformar meu mundinho de sempre, de sair do marasmo da mesmice e fundar novos mundos, cruzar fronteiras. Algumas pessoas estão sempre prontas para o desconhecido, subtraem até a verdade para ter a possibilidade de tentarem algo novo: "sim, senhor, eu sei tudo sobre esse assunto". Conheço uma pessoa, que estudou comigo e era, quiçá, o pior aluno em décadas do curso de Letras. Pois até ele, com sua falta total de possibilidades, já conseguiu aulas, e está em algum lugar desse mundo apavorando crianças ou adultos de algum EJA, mas eu, tremo só de pensar nessa possibilidade. Medo, travesso medo, que me consome dia após dia. Para evitá-lo invento fugas. Desculpas para faltar aos compromissos mais simples, como o de levar um currículo numa escola. Aumento os problemas, pioro as dificuldades, me esmero em complicadas complicações bem pensadas. Sofro. Não é voluntário. Minha cabeça roda, meu estômago gira, ou, como diria a autora de Harry Potter, "sinto borboletas na barriga". Não pretendo procurar uma medicina para isso, é algo que eu preciso enfrentar sozinho, como sozinho parece que é o meu destino, graças a esse meu desesperado empenho em não ser ninguém. Quem sabe um xamâ espante esses maus espíritos que me rodeam. Os artigos da pós ficaram excelentes, pelo menos é o que acharam dois dos professores que já corrigiram. Minha intervenções no curso são sempre boas, nunca excedento a normalidade, nem beirando o ridículo. Mas o caminho que já levou tantos dos meus ex-companheiros de sala para uma sala de aula parece para mim cheio de acentuados espinhos, ou um caminho de brasas que só os que tem fé conseguem atravessar, como acontecia com os primeiros católicos, que pisavam na brasa em nome do Senhor, enquanto os hereges, como eles chamavam os outros não conseguiam fazer isso - coisas da fé, ou da loucura, sei lá. Só sei que o caminho de carvão quente que surge a minha frente é falso, como falsos são as esquisitas combinações que meu cérebro produz para evitar que eu entre em sala de aula. Não me envergonho de falar sobre isso, é muito importante enfrentar os medos, pensar que os monstros que minha imaginação cria são só isso mesmo, monstros imaginários, como Orcs, Frankenstein, gnomos, Shrek, hobbits, elfos, Brás Cubas.......    


Escrito por Meridiano Sangrento às 13h20
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  Sombras e neblinas

Meus óculos quebraram no meio do ano passado. Minha carteira estava vazia, meu crédito em falta. Nome no spc, serasa, cartório me liquidando por uma dívida de cento e tantos reais da faculdade... era uma vez uns meses sombrios...
 
... e lá fui eu vagar vida afora enxergando de menos. Sentindo que o mundo estava se apagando aos poucos. As mulheres perderam a beleza, quando vejo menos é através da voz e dos gestos que eu pressinto a beleza. Amo a Shakira quando a miopia impera. Amo as gordinhas, pois elas saltam aos olhos, mesmo os meus. Acabo perdido num mundo só meu, o das ausências. Desfaço-me daquela alegria peculiar dos que podem ver. Trago no rosto a marca da tentativa, tento, logo desisto, pois nada substitui, para um míope, aqueles óculos que transformam a vida numa matemática perfeita, menos, torna-se mais, muito mais. A elegância de ver. Olhar ao longe, pensativo e ponderador, como um Che, um Che real de carne e osso e não um mito apenas. De olhos emsombrados, só pressinto. Nina cresceu? Acho que sim. A sujeira se esconde nos cantos, eu não percebo. Teias de aranhas escorrem do teto, não sei se sei. Meus olhos só veem o que se movimenta, neblinas coloridas passam diante de mim. A vida embaçada perde a poesia. A vida só tem importância quando as pessoas estão bem próximas. Eu sou um ausente profissional, a proximidade me afasta, logo quanto menos vejo, mais me isolo, mesmo querendo contatos. Sem os óculos minha vida é um tenso tatear. Viajo pelas lentas batidas de Nick Cave. Sua voz poderosa é um calmante para meus olhos opacos. A música é um caminho a mais para evitar o vazio, por isso vago de uma pasta de mp3 para outra, sinto-me poderoso fingindo cantar junto com o Teenage Fanclub. Penso que poderia como a presidenta ter uma "prioridade central" e assim quem sabe comprar meus olhares de volta. Ter de volta aquele cacoete de empurrar os óculos para cima, pensar que estou com os óculos embaixo da água do chuveiro, detalhes. Mas se eu tivesse uma redundante prioridade central, ela seria menos ver e mais não ser, ou sei lá, algo filosófico e autêntico como almejar o paraíso, pra que óculos se no céu todos somos Deus? Então, como não existe uma prioridade central, nem outras paralelas, sigo míope, com as receitas no bolso: um médico disse uma coisao outro disse outra, eu faço a média, se a medicina brinca com meus olhos eu rio da minha desgraça. Uma ótica, meu reino por uma ótica... pois aqui, nessa parte do país a Ótica Diniz invadiu a cidade, tomou conta dos melhores pontos, comprou diversas óticas familiares, tudo isso pra cobrar o preço mais alto sozinha, é ridículo, muito ridículo. Esse parece ser o caminho para todas as coisas nesse modelo de capitalismo que vivemos, grandes redes de farmácias, grandes redes de supermercados, grandes lojas de departamento e grandes redes de óticas, enquanto isso aqueles pequenos lugares, em que trabalham pai, mãe, filhos, que vendem sim um pouco mais caro mas que vivem para isso definham (poderia dizer "definham lentamente", como a presidenta talvez falasse).


Escrito por Meridiano Sangrento às 13h18
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  Crime e castigo online

Antes da grande celebração da primeira comunhão no domingo, tínhamos que ir para a primeira vez que participaríamos da confissão. Tanta gente dentro da igreja, todos prontos para se livrarem dos seus pecados. Havia um clima de pesada leveza. De um lado, os ainda pecadores, do outros os já absolvidos das suas faltas, mais à frente, os que ajoelhados pagavam suas penas. A conversa entre os, ainda, pecadores era um zum-zum, leve e sarcástico, qualquer tom de voz mais alto era punido com graves olhares das professoras de catecismo. Os padres, tinha três, decidiram-se por ouvir os confessadores sentados nos bancos da igreja, para dar um ar moderno a coisa toda. Na minha vez de confessar, vagou o padre Clemente e eu então conheci de perto o que é crime e castigo. O padre, muito solícito, me recebeu perguntando meu nome e junto com o "qual a seu nome, minha filho?", com um português macarrônico, veio de lambuja o maior bafo da terra. Essa primeira baforada de mau-hálito embotou minhas ideias. Antes eu me imaginava contando todos os meus maiores pecados de adolescente: os pensamentos sujos, as masturbações, as revistas de sacanagem que lia, a cobiça das mulheres - do próximo, do vizinho, a prima -, os milhares de palavrões que falava sem cerimônia, etc, etc... Mas o simples fato de estar ali, perto do padre, com seu hálito de dragão de Komodo já me fez perder o rumo dos planos traçados. Decidi então tentar encurtar aquilo tudo e contar a verdade seria uma vereda muito árida pra se passar. Então a cada pergunta dele eu prendia a respiração e respondia com monossílabos. Afirmativo quando tinha que ser afirmativo e negativo quando ele esperava negativo. E eu me tornei, graças ao bendito hálito do padre de um menino cheio de desvios do padrão aceito, para um menino puro, ingênuo, casto. E quanto mais eu mentia ou omitia a realidade mais o padre se encantava e mandava ohs de admiração misturados ao cheiros mais inóspitos. Meu estômago estava embrulhado, minha vontade de continuar aquilo no chão, e o final foi apoteótico, com o padre me elogiando MUITO MUITO, E ME PERGUNTANDO SE EU NÃO QUERIA SER PADRE, ao que respondi: "que não, nunca havia pensado naquilo", e ele então me disse que PENSASSE MUITO MUITO NAQUILO E QUE SER PADRE ERA UMA COISA MUITO MUITO BOA E COMO EU ERA UM MENINO PURO, BOM, PODERIA ME TORNAR UM EXCELENTE PADRE, UMA PESSOA QUE FARIA UM GRANDE BEM PARA A SOCIEDADE, e quanto mais ele alongava sua fala, mais azul eu ficava, pois tentava prender a minha respiração sem que ele percebesse. Ao fim, ele me mandou rezar três aves-maria, que eu rezei correndo como um agradecimento pelo fim da  minha confissão. Tá, eu menti. Era minha primeira confissão na primeira comunhão, mas acho que a mentira nesse caso já trouxe consigo a punição, crime e castigo de mãos dadas, uma punição online.   
 


Escrito por Meridiano Sangrento às 13h41
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  Profissão: Perigo

Eu sabia que a mistura não era aquela. Tá, no fundo eu não sabia, mas o princípio máximo da dúvida foi maior e aceitei participar do teste. Mas alguma coisa me colocou de sobreaviso. Misturar pólvora, tirada de bombinhas de São João; gasolina, aspirada e um gole engolido, tirado daquele carro velho que estava estacionado na oficina do Zé na rua debaixo havia duas semanas. E mais aqueles produtos de limpeza, ah, era certeza de furada. Queríamos fazer uma bomba caseira, destas que estouram em estádios e ouve-se nitidamente na transmissão dos jogos. Era só uma brincadeira, mas moleque nunca percebe perigo em nada. É a seleção natural, quem não participa é cagão e pronto, apto às piores piadas. Roubamos massa de pão, de pão mesmo, com trigo, água, fermento em pó. Massa pronta, recheamos com a pólvora, que estava dentro de um saco plástico. Em volta do saco de pólvora, um coletor universal com a gasolina e um outro com o monte de produto de limpeza misturado, ligando tudo isso um fio, molhado com gasolina, que seria nosso pavio, bem grande. Colocamos tudo dentro de uma lata de manteiga que achamos no lixo. Protegemo-nos em volta de árvores e o estrondo compensou a espera. Certo o primeiro, a segunda bomba foi ainda mais ousada, refizemos a mistura sem a massa de pão e colocamos dentro de uma garrafa de vinho. Essa foi nossa burrada. O vidro parecia que nos procurava, eu cortei a boca, e tenho essa cicatriz até hoje. Outro, levou um caco no olho e quase ficou cego, salvou-se por um milímetro. Um outro ainda, no afã de se esconder, virou as costas e um caco enfiou-se-lhe na nádega esquerda. Choro, grito, confusão, pronto-socorro, pontos, mais choro, em casa, surra, castigo, fome e uma vontade de saber: como MacGyver conseguia fazer aquilo tudo e não se machucava?    



Escrito por Meridiano Sangrento às 15h45
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  Uma partida de futebol

Chovia. Ventava. Chuva e vento, companheiros da noite. Mas os planos dele eram para o outro dia então aproveitava o barulho bom para fantasiar o que podia vir a ser. Não seria só mais uma partida e por isso o campo molhado o preocupava bastante. A bola ficava traiçoeira. Sua camisa amarela era de um tecido frio e ele teria que ter muito cuidado no jogo de amanhã. Era goleiro e nas peladas de várzea o goleiro é sempre aquele que não joga nada com os pés. Mas ele não, ele gostava de ser goleiro. Mas tinha algumas dificuldades com dias chuvosos. Se bem que ele era uma negação com os pés mesmo, e até os tiros de meta quem batia eram os zagueiros. Seu chute saia sempre torto e fraco, ou ia direto para fora ou para os pés de algum jogador adversário. Se fosse hoje, em que os goleiros são quase zagueiros, sua carreira não teria sido. Mas a partida de amanhã era para ele uma excelente oportunidade de calar os críticos. Sim, ele os tinha e aos montes. Resultado de ser goleiro titular do time em que jogavam também seus irmãos. E mais, de um dos melhores times do campeonato do Roseiral. Seria Enira contra o Generoso, duas equipes tradicionais da várzea, duas equipes de bairros vizinhos que se odiavam. Ele que nunca havia se envolvido numa briga fora nem dentro de campo, ficava tranqüilo quanto às equipes serem inimigas. Afinal para que serviam os irmãos mais velhos além de conseguirem que ele fosse o titular? Proteção caseira. Mas era uma partida válida pela semi-final do segundo turno do campeonato. E perder significava que o ano terminaria ali, pois quem ganhara o primeiro turno tinha sido o Contabilex, time forte, que iria disputar ainda a outra semi-final, e podia ganhar o campeonato direto, coisa que não acontecia há muito tempo. Mas conciliar o sono estava muito difícil. Diferentemente dele, os irmãos saíram e ele ali sozinho, só tinha pensamentos para o jogo. Mas ela chegou. Perguntou por seu irmão – o galanteador da família. Disse-lhe que ele não estava e falou para ela entrar. Entrou. Disse para sentar. Sentou. E foi fazendo tudo que ele pedia com uma docilidade fascinante. Não, ele não podia. Acreditava piamente que sexo antes de uma partida seria uma catástrofe para ele. Mas não conseguiu se controlar. A facilidade e a mansidão dela, junto com uma falta de pudor fizeram a diferença. Gozou. Levou-a embora. Gozou de novo, no meio de alguns arbustos, numa masturbação alucinada. Que a desgraça viesse então. Sexo não era uma coisa tão simples de se conseguir por essa época, pensou e pesou ele. A sorte estava lançada. Podia até não dormir bem amanhã, mas no hoje que lhe cabia o sono veio fácil e a glória da conquista já lhe pertencia. O Contabilex sagrou-se campeão aquele ano.        



Escrito por Meridiano Sangrento às 14h09
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  Reunião de nhecolandeses

Os que puderam vir sentaram ao redor da churrasqueira. Eu, milagrosamente, cheguei cedo. Cedo para os meus padrões, pois quando me reuni aos meus irmãos e a meu pai o churrasco já estava num fogo brando, cozinhando com o tempo. Desde esse momento, até a hora que consegui dormir, o tempo seguiu, como um rolimã numa descida vertiginosa. Sim, o tempo escoa pelos dedos, às vezes corre com pés de Hermes, em outras flutua len-ta-men-te. O tempo que é um dos assuntos do último livro que li: “A criança no tempo” do inglês Ian McEwan.

Reunido em família, nem tanto para comemorar a chegada do ano novo, que para nós quase nem significa nada, pois vivemos com tão pouco, que damos graças mais por continuarmos. Integridade eis nosso maior mérito. Viver de pouco é uma arte e até nos admiramos quando a mesa do almoço é sempre farta. Cozinha-se aqui o tempo. Serve-se o tempo em vasilhas plásticas. Degusta-se o tempo que nos leva um pouco adiante e nos faz, todos tão diferentes, sentarem-se e se igualarem pelo que falta e pelo que sobra em cada um. Só somos nós, obra do tempo, pois somos diferentes, e nossas diferenças, que já nos desuniu, agora nos (re)une, esporadicamente, que é quando nos toleramos e nos amamos. E fico ali, bebendo histórias. Sentido o suave bafejar do tempo nas minhas retinas.



Escrito por Meridiano Sangrento às 16h14
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  O curioso caso do Benjamin Button da Nhecolândia

Meu pai nunca praticou esportes. Lembro vagamente de um futebol na frente da fazenda Mangabinha em que ele jogou um bocado de tempo, aliás, jogamos todos e aquele futebol em família está entre uma das únicas coisas que fizemos todos juntos em nossa história toda. A outra coisa é comer seus churrascos. Todos nos entregamos com louvor ao labor de degustar essa preciosa iguaria. Meu pai tem oitenta e tanto anos e, ontem ao vê-lo novamente depois de alguns meses de, mal explicada, ausência, percebi que ele vai lentamente encolhendo. Ah, o tempo esse inclemente construtor, segue metodicamente, como a água, esculpindo os detalhes do seu, futuro, desaparecimento. As calças que agora ele veste ajustam-se ao seu corpo, como se fora ele um membro adolescente do Restart. Não, ele não usa calças coloridas. Nem nada extravagante. Ele é uma pessoa sóbria mesmo com sua pólo vermelha tamanho P, que já foi M.

Corri para saber mais sobre esse fenômeno e descobri que com o passar do tempo, por não mais fazermos os mesmos esforços físicos de antes, alguns grupos musculares vão, lentamente, atrofiando, encolhendo. É verdade, antes meu pai matava e carneava uma vaca. Dispunha da sua força para tecer, com o couro dessa mesma vaca, chicotes, trançados à custa de suor e força dos braços. Hoje, ele não precisa mais matar, carnear. Ele não precisa mais montar por horas a fio um cavalo para fazer parte de alguma comitiva. Nem arar a terra para plantar a verdura que a família irá comer.

Ele faz diariamente as mesmas coisas. Com uma ausência de pressa que impressiona. Tudo é milimetricamente calculado. Passo a passo ele segue sua rotina de encolhimento. Ele, não é o Rio de Janeiro, mas continua lindo. Sua barba branca ainda é áspera. Seu sorriso ainda é cativante. Ele só está seguindo os lentos passos que todos temos que dar para o nosso desaparecimento. A morte é algo que definitivamente não temos como enfrentar. Montaigne dizia que “filosofar é aprender a morrer”, mas para o nosso Benjamin Button, a morte é algo indisfarçável que ele afugenta com seu método mais simples. Comer, rezar, amar. Esse é meu pai, que ainda come do seu churrasco, evitando pedaços gordos; que reza quando todos rezam e crê ardorosamente em Nossa Senhora Aparecida; e que ama indistintamente os seus, venham de onde vierem e como vierem, pois ele está ali apto a distribuir seu melhor e mais delicado sorriso.

Ele vai morrer um dia? O ano está apenas começando, deixemos de lado o que não podemos efetivamente controlar, e nos preparemos para ficar ali ao seu lado hoje, aprendendo como fazer de pedaços de carne crua, que nossos antepassados comiam assim mesmo, por desconhecer o que meu pai aprendeu desde sempre e se tornou sua marca registrada nessa vida, assar, com a paciência de Jó, churrascos que o eternizarão nos nossos pensamentos, eis a vida após a morte.  Não temos que temer a morte, nem ter medo de falar dela. Saber que o meu pai uma hora vai faltar é de antemão entender o quanto ele é importante nas nossas vidas, com sua simplicidade ativa, como dizia Nietzsche. Eu começo o ano feliz por saber que por hora ele ainda estará com a gente, isso basta. E por entender que até para nos deixar ele fará isso com sua elegância de sempre, encolhendo lentamente, como um personagem de cinema.



Escrito por Meridiano Sangrento às 09h58
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  Mundo animal

A praia não foi feita pra mim. Definitivamente não. Então me resigno e agradeço o calor infernal rolando entre lençóis umedecidos. Os olhos dos que me rodeiam imploram: praia; eu me imploro: praia... e nada acontece. A ANACOMES – associação dos cobradores do meridiano sangrento – ronda minha casa e eu, me escondo num saco de papel. O que eu fiz de errado? Qual a razão de para todos sempre sobrar a melhor parte do ano para viagens idílicas e a minha ser sempre como a do poeta que é “um passarinho que voa fora da asa”. Para mim sempre resta os sobrevôos rasos de galinha. Jogo na mega sena e preencho os cupons do supermercado que promete uma casa e um carro. Ilusões. Como já sei que vou perder nem acalento sonhos. Acordo e alimento o cachorro e o gato. Passo o dia alimentando-os, eles comem e descomem. Eu rodeio a casa com a pazinha branca e uma sacola. Nem posso crer que será esse o meu destino, molhar os pés com água clorada e sabão em pó. O azul do mar aqui é azul que limpa. A gata, ainda sem nome, roça as minhas pernas, dizem que é sinal de carinho. Nina, a cadela, devora mais uma palmilha de tênis, dizem que ela ainda é um bebê. Eu me desespero...  o refúgio é baixar músicas que nem conseguirei ouvir direito. O refúgio são os sites de compras coletivas que prometem uma promoção nova e sensacional a cada dia. O limite para a sanidade é o meu cartão de crédito, “vivemos a crédito” diz Bauman, concordo com ele, compro uma pizza, e esperarei a melhor ocasião para degustá-la. A praia vai ter que esperar mais um bom bocado. Os cobradores terão que aguardar também... Abro “Solar” do McEwan, presente de natal da filha menor, um frio entra no quarto, a cabeça do urso na capa me tranqüiliza...  



Escrito por Meridiano Sangrento às 13h38
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  Nem sempre se pode ser Deus

Economizo minhas ações. Penso que faço e não ajo. Romances acabam assim. Vidas se incompletam assim. Preciso agir mais. Rasguei os bilhetes para a namorada, resolvi sussurar no ouvido dela. Aposentei os emails para os amigos, melhor conversar tomando um tereré, bebendo uma cerveja. Esquecemos o básico quando não praticamos. Pensar não é fazer. Um abraço não pode ser substituído por uma frase feita, nem que ela seja bem feita. Um beijo deixa marcas mais insinuantes que um poema. Ah, eu, um apaixonado pelas palavras, tendo que perceber que só elas não salvam um mundo. O mundo pede ação. Penso em minhas mãos enroscadas no cabelo dela e não enrosco as tais mãos. Penso num abraço fraterno e esse abraço fica no ar esperando os corpos se encontrarem para tanto, como que por acaso. Ruas cheias e eu isolado dentro de mim. Desbravo os horizontes com meus céticos pensamentos. Atravesso as espessas camadas de ideias sendo gestadas, separo as melhores, dou férias para as insubordinadas, recomeço. Só pensar o que for possível tornar real. É uma prática cruel, substituir um jeito por outro, mas urge mudar. Não mais tecer castelos de cartas em sonhos dourados, ser, isso sim, o melhor construtor de castelos à quatro mãos, em cima de uma cama desordenada. Não mais lotear a lua dos amantes, mas sim, aspirar, à luz da lua, o aroma da nuca dela. Entre o querer fazer e o fazer corre um rio como o Estige, e nós não somos Aquiles para sermos banhados nele.   



Escrito por Meridiano Sangrento às 22h31
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  Sombras colidem com pessoas

No meio termo entre a loucura e a resignada espera dos sinais de ets. Os ets resistem em manter contato. Dizem que a estática é um sinal. Um barulho chato e sem sentido que vai embaralhando as sensações. Resta abraçar a loucura. Escolho o melhor lugar na nau dos loucos. Penso que poderei influir no local exato em que todos serão abandonados à própria sorte ou à falta dela, como queiram. A normalidade é chata, Cazuza dizia que "o reino dos céus é dos chatos", mas morreu e não voltou pra confirmar a sua hipótese. A loucura é melhor que essa intrepidez palavrosa? Os loucos são falsos-mansos perigosos? Podem estar recheados de porcos e à espera do Messias que os jogará novamente no abismo (os demônios, não os loucos), renovando a mansidão. O reino dos céus é dos mansos então? Dos cordatos? Dos silenciosos? Resta a loucura. Entrelaço os dedos com os dedos da minha sombra. Eu a colei com superbond pois não sei costurar como a Wendy. Desinvento uma canção, colando pedaços de umas e outras. Faço aproveitamento de sobras. Recrio o abandonado, o inútil, tenho excesso de zelo com as pessoas normais, elas se assustam facilmente com os loucos de plantão. Já não conseguem separar um louco real de um louco inventado. Por temor doam a ambos tudo aquilo que não necessitam. Resta cultivar uma loucura com método, e a ela me entrego com precisão. Sou louco e, assim, resisto. Por sob meus olhos passa o mundo insone. Abaixo das pálpebras tudo aquilo que realmente importa: o mundo inventado. Invento novas realidades. Planto felicidades. Nos cristalinos implanto visões de Éden. Acordo, alimento-me de doação. Mudo de lugar. Bato o cartão, cumpri meu horário. Minha cota. Volto pra casa. Abraço os filhos. Sentado na poltrona do papai vejo o rei se despedir, já vai tarde.  


Escrito por Meridiano Sangrento às 11h48
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  Um Natal no paraíso (causos da Nhecolândia)

Certamente ela se lembraria do pão caseiro com chá, pensou ele. Nesses últimos dez anos ela nunca havia  esquecido que ele gostava muito de tomar chá com fartas quantidades daquele pãozinho que só ela sabia fazer. E o chá era bem quente competindo de igual pra igual com a temperatura ambiente. Hábitos arraigados. Como o leite morno logo cedo. Como chupar laranjas depois do almoço. Na fazenda, mesmo com muita coisa por fazer, ainda assim a rotina entrava pelas brechas dos dias. É que alguns hábitos são prazenteiros, fazer filhos por exemplo...
 
Ele estava cansado da viagem. Foram semanas no lombo do cavalo levando gado pra Campo Grande. Várias semanas degustando aquelas rudes bolachas pantaneiras, que desafiavam os dentes dos intrépidos comedores. Um maná de gosto duvidoso. Uma comitiva traiçoeira aquela pois a chuva os alcançou e minou a paciência deles por vários dias. E a carga mista de bois desgarrados  e confinados complicava os dias e as noites. Mas agora já era.
 
A volta sempre era a melhor parte de uma viagem. A mais aguardada, pelo menos. É que trabalhar na lida do gado é tarefa inglória. Cansa-se o corpo, a mente, a alma. O berrante abala a disposição. As modas de viola, nas poucas noites luarentas do sertão, castigam o peito. O cigarro à larga junto com a cachaça controlada por nervos de aço e uma pontada de medo do patrão eram os companheiros fiéis.
 
Ele sabia que o Natal estava por chegar e ainda tinha que matar algumas galinhas e aquele porco cachaço que alimentara com alfaces velhas e milhos secos, mas que engordara ainda assim com se comesse ambrosia. Pensava em assar o porco naquele buraco no chão que ele abrira no ano passado. Pensava em assar a cabeça do porco naquela lata vazia de banha. Pensava tanto que podia sentir o gosto cheiroso da língua de porco assada no seu pensamento. Tinha decidido, enfim, matar aquele carneiro chato que corria atrás das pessoas. Pra ajudar na ceia ele estava levando queijo de garrafa; uma manta soberba de carne seca que ele mesmo havia feito da vaca mestiça que mataram pra alimentar a volta e que sobrou. Trazia também quatro quilos de farinha d'água para uma farofa de miúdos e pra comer com melado.
 
No Natal passado eles mataram a vaca Tostada que comeram durante o mês de janeiro e fevereiro também. Agora queria um banho, dormir um bocado e se preparar para a ceia de Natal. Ela havia pedido que ele trouxesse brinquedos para as crianças, havia pedido tecidos para as mulheres. Ele, pela primeira vez, não estava estragando o Natal de todos, pois cumprira rigorosamente suas promessas. E, ao divisar a porteira, e nela trepados três dos filhos menores, uma paz preencheu seu coração, era o seu lar. Ninguém pode ser infeliz no seu lar.
 
Queria lembrar de uma cantiga de Natal, pensou em uma, mas não era, mesmo assim seguiu assoviando ela, como uma pessoa que acabou de retornar do deserto e sobreviveu a todas as tentações do diabo. Esse era ele, mais feliz agora que sua energia desesperada havia sido gasta com os animais e com as pessoas quase animalescas, assim podia, por uns dias, ser o máximo possível mais ameno, menos casmurro, mais familiar.
 
"Mandaram-me brilhar e fui apenas uma lâmpada jovem de poucas velas e muitos vales para iluminar. Resolveram aceitar-me tal simples vontade de luz no céu  dos antepassados, mas com a cômica e conseqüente cautela dos que temem sorrir com intensidade, dos que temem pagar com altas taxas de colesterol sua primeira alegria. Muitos me amaram com enormes mãos delicadas". (Alberto Cunha Melo)      


Escrito por Meridiano Sangrento às 09h07
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  Um café, por favor...

Alimento-me de café como de palavras.
 
Penso que minhas palavras são negras, impregnadas que estão pela cor do café.
 
Acho que minhas palavras têm cheiro e se dispersam no ar como a fumaça do café.
 
Café e palavra eis uma história verdadeira.
 
Nos contam dos boulevards franceses em que conspirava-se entre xícaras de capuccinos e manifestos recém-rabiscados. 
 
O que seria de nós sem o café?
 
O Brasil e sua história enleada com as plantações do café. O crack da bolsa de 29, as sacas de café queimadas.
 
Dinheiro negro.
 
Não temos o charme europeu, não bebemos o melhor café do mundo, que nós ainda exportamos. Eu bebo os mais simples pós, mas nessa simplicidade ainda assim, vislumbro os braços fortes dos negros de Portinari.
 
Abrir um pacote de café é viajar no tempo, trezentos anos de história nos contemplam. Desde os cafés selvagens da Abissínia. Desde que os holandeses espalharam sementes, roubadas aos árabes, na Ilha de Java, e de lá para o mundo.
 
E a palavra, como afirma Pinker, que "por meio de simples ruídos produzidos por nossas bocas podem fazer com que ideias novas e precisas surjam na mente do outro. É uma habilidade tão natural que costumamos esquecer que é um milagre".
 
Como o café.
 
Descobertas do acaso ou do instinto? 
 
Milagres ocasionais?
 
Eu, tenho muito mais medo de palavras, utilizadas de maneira errada, que de armas.
 
Refugio-me do caos diante do míni buraco negro de uma xícara.
 
Refugio-me do mundo tecendo palavras doces e cheirosas entre goles de café.      

 

 


 



Escrito por Meridiano Sangrento às 12h28
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